Ontem retornei da minha primeira viagem a trabalho na condição de gestante (para quem não sabe: viagens são proibidas no 1º trimestre pois é alto o risco de aborto). Descobri algumas coisinhas básicas sobre viajar:
1- Ritmo
Gravidez não impede de fazer nada, mas limita sim. Não dá para carregar peso (e vou fazer o que com a mala, o computador, a bolsa...?!). Não dá para correr de um compromisso para outro naquele frenesi habitual (a correria cansa o triplo). O corpo exige mais calma, mais equilíbrio. Não é uma coisa do tipo "ah... estou grávida e não posso fazer isso, isso, isso". Não. O meu corpo não aguenta o ritmo anterior. As pernas incham, o corpo fica cansado. Bom, pode ser também que o meu ritmo anterior estivesse errado mesmo... eu sou muito acelerada e faço 10 coisas ao mesmo tempo.
2- Ritmo, parte II
Durante a gravidez a mulher produz um hormônio específico para relaxar a região pélvica. Uma preparação para o parto. Sábia natureza. O único problema é que este mesmo hormônio afeta a coordenação motora da pobre mãe. Estou dirigindo com menos habilidade e esbarro em tudo pelo caminho. Atrapalha um pouco a rotina de viagem.
3- Roupas
O guarda-roupa está, digamos, limitado. O que torna a tarefa de arrumar mala um desafio. Não adianta comprar um monte de coisa que não vou usar depois. Quase nada do armário cabe mais em mim. Um dilema. É preciso mais planejamento para organizar a bagagem... Nesta viagem levei uma calça que usei até semana passada e, lá na cidade do curso, descobri que não fechava mais. Que tal? Dei o curso todinho com a calça aberta. Por sorte a parte de cima era uma bata compridinha e disfarçava. Ou não. Enfim, o charme e a elegância da gestante ficaram em segundo plano.
Ainda sobre o tema guarda-roupa, é preciso rever a opção de cores e modelos. Um exemplo: tenho um vestido roxo super bacana, estilo "verão total" (comprido, fresquinho, um charme). Usei muito antes de engravidar e, como é largo, arrisquei usá-lo na semana passada. Fiquei parecendo uma beringela. Não pode entrar na mala e ponto final.
4- Bate-papo
As conversas durante as viagens ficam mais restritas. De cada 10 pessoas que conversam com você, 8 (pelo menos!) vão falar de bebê o tempo todo. Ninguém pode ver uma pança de grávida. É um magnetismo, sei lá. Parece que o mundo parou. Não tem mais guerra, fome, corrupção, crise econômica, nada. Só existe cocô, cólica, amamentação, fraldas, noites insones, entre outras agruras da maternidade. Fiquei assustada, juro.
5- Vantagens
Em viagens o golpe da barriga ganha tooodas as preferências: filas, táxis, melhores assentos, tudo. Se alguém ficar emburrado ou dirigir aquele olhar de "quem é essa gorda que está furando fila?" não tem problema nenhum. Basta estufar a barriga, por a mãozinha no ventre, fazer pose de grávida e continuar furando com convicção. Funciona que é uma beleza.
Já estou me preparando para a próxima viagem.